Ifa não ensina a amar
Era “vendido” para minha família no passado, que Orisa (Orixá) é amor. Antes que alguém possa traduzir essa palavra, você procura no dicionário ou a origem da palavra, e ela é muito controversa a qualquer explicação. O que se sabe, é uma palavra originada ao afeto de uma mãe.
Nos versos de Ifa não existe esta palavra. O que me fez abrir a mente para muitos aspectos na vida. Com os povos yoruba, quando você diz mo fe (eu gosto, eu amo) também não existe uma tradução especial para as conjunções verbais. Amor então, é entendido como um sentimento. Nos versos de Ifa não há o sentido literal da palavra, mas há sentimentos. O que Ifa ensina muito é ter compaixão, isso eu presenciei no odu Ifa oyeku logbe.
Nos versos de Ifa, você não vê Orunmila ou qualquer Orisa dizer que ama alguém, que sente uma liberdade de expressar esse sentimento há alguém. As traduções sempre chegam como: não se sabote (Ogbe hunle), não confie no seu amigo (vários odu falam isso).
O objetivo deste artigo é sobre os sacerdotes (isas) falarem deste tema com muita naturalidade. Eu tenho medo destas pessoas. Acredito que vender ou doar o amor, é muito perigoso. Amor sendo sentimento, é uma obrigatoriedade, igualmente falando dos “ire gbogbo (todas as sortes” palavriadas nos versos de Ifa). Todos os que conheci, independente de qualquer religião que estas pessoas estejam, a hipocrisia reina seus ambientes. São pessoas perigosas, porque elas não fazem o que vendem ou ensinam. Não há uma prática. E na lógica, muitas pessoas querem ouvir de um ancião ou anciã palavras mais doces, para acalentar seus corações, porém, a hipocrisia é um prato que se come cru no final da sua jornada de procura espiritual.
Eu tenho um verso específico, que ele não vai falar de amor propriamente dito, mas vai falar de pessoas que vendem estes tipos de ilusões as pessoas. E mostra o quão perigoso é um ser que aplica este tipo de método para sua vida:
Sa funmi
O yo funmi
Igba to funmi
N bebe oran
A difa fun Olu
Nijo ti torun bo waye…
Me dê
Eu não te dou
Quando você não me der, eu não pedirei
Consultou Ifa para Olu
Quando estava vindo do céu a terra…
Olu (cogumelo) estava vindo do céu para terra. Ele perguntou: Vou ser adorado? Vou ser perseguido? Viverei muito tempo na terra? A resposta não foi objetiva de Ifa. Sua tradução no momento foi que Olu tinha que fazer ebo, e que tinha que manter a vida longa e afastado do que não lhe agradaria.
Ifa fala por parábolas e nem sempre é o que gostamos ou precisamos ouvir. Naquele momento, Olu não decidiu fazer ebo. Quando desceu para terra, seus amigos começam a trata – lo bem, só que indiferente. Olu era ansioso em ter mais e mais amigos, mesmo ele sendo muito pequeno, ele queria fazer a diferença.
De tanto dizer que queria fazer o bem sempre, compartilhar seus desejos, seus amigos acabaram se “cegando” e o “comendo”. Olu “morria” por dentro de tanta decepção em não ter seu reconhecimento de tudo que ele fazia, ele se camuflou na terra e tornou – se muito parecido a outras comunidades.
É por isso que até hoje é difícil identificar qual olu é bom para você comer.
Aqui Ifa aconselha as pessoas não terem muito amor uns as outras.
Amor em demasiado, pode até te matar
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