O ano era 1846, e José Francisco dos Santos, o Zé Alfaiate, já era um homem rico. Seu apelido se deve ao fato de que, ainda na adolescência, aprendeu a trabalhar com couro, costurando belas peças e encantando seus clientes. Deixou seu ofício para comercializar africanos quando se casou a com filha de Francisco Félix de Souza, à época o maior comerciante de escravos da África.
Quando morreu, aos 94 anos, Zé Alfaiate era considerado um dos homens mais ricos do mundo. Deixou uma fortuna avaliada na época em mais de US$ 120 milhões de dólares. Havia expandido seus negócios para a exportação de ouro, azeite de dendê e óleo de palma, sendo pioneiro nesse comércio. Deixou 53 viúvas, 80 filhos e 12 mil escravos. Zé Alfaiate possuía um harém digno de qualquer sultão.
A maioria das pessoas questiona: “Por que nunca ouvi falar deste sujeito?”. A resposta é muito simples: a quase totalidade dos historiadores tenta desesperadamente apagar a existência de Zé Alfaiate da História porque ele foi um escravo. Isso mesmo: Zé Alfaiate foi escravo e devido à sua destreza na confecção de peças de couro ganhou a simpatia de brancos ricos, que compraram sua carta de alforria, ou seja, sua liberdade, e tornaram-se seus clientes. Na Europa e nos EUA, o respeito das elites financeiras por Zé Alfaiate era total. Dizia-se que, nos negócios com ele, bastava apenas e simplesmente a palavra.
Zé Alfaiate não foi o único escravo liberto que se tornou rico e passou a escravizar seus semelhantes. Há centenas e centenas de registros esquecidos propositalmente, pois só assim narrativas manipuladas politicamente são aceitáveis para a manobra das mentes preguiçosas que se recusam a buscar a verdade.
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